Olhei para a mesa vazia e para fora da janela. Aquele moço parecia perturbado. Parecia saudade. É como se ele tivesse recebido aquela mensagem da moça que ele ainda ama, e que um dia namorou, mas que hoje são apenas amigos. É como se ele gostasse de ver que ela lembrou dele, mas ao mesmo tempo ele tivesse muita saudade do seu passado ao lado dela. Delicadamente sentei-me naquela mesa que só existiam resquícios de guardanapos, pratos sujos e uma xícara. Entre os guardanapos tinha uma caneta. Fui pegar a caneta e me deparei com um bilhete. "Jamais te esquecerei, Sophia.". Quis saber quem era Sophia. Quem sabe fosse a responsável por aquela lágrima, e pela mensagem. Ergui a cabeça, e vi o mesmo moço na porta me olhando paralisado. Veio na minha direção. Desculpa -disse ele- Tu não tens nenhuma culpa do que aconteceu, não deveria ter saído sem dizer nada, mas pelo jeito já descobriu a razão de eu não parecer bem. Eu falei: Sophia? Ele respirou fundo, sentou-se ali comigo. "É, Sophia... Fiquei sem reação ao te ver por que me lembra muito ela. Não a aparecia, mas teu jeito atencioso de ter vindo me pedir o que acontecera". Foram essas as palavras que bastaram. Me contou que já me observava antes mesmo de receber a mensagem, e que meu modo de tratar as pessoas, de falar e de agir, o chamou atenção. Não quis pedir quem era Sophia, acho que ele não queria falar disso no momento, e como percebi que lhe fazia um pouco mal o assunto, deixei que ele mesmo viesse talvez a me contar quem fora ela. "Aceita um café?" pediu ele. Recusei. Ele ofereceu então uma caminhada no parque. Paguei então minha conta, e saímos da lanchonete. Gosto de passeios no parque, me fazem muito bem. Gosto de caminhar, pode até ser sozinha, e no momento pensei que nos fizesse bem a companhia um do outro. "Desculpa, mas como te chamas?" "Angelina..." "Me chamo Oscar, prazer." Rimos. Caminhando sem assunto, ele disse "que dia lindo está hoje, não?!" Concordei e falei que adoro dias ensolarados, me sinto mais disposta. E também confessei que amava passeios no parque. Conversamos um tempo, mas logo me der por conta que tinha compromisso e precisava ir. Olhei no relógio, tinha mais 15 minutos. "Parece preocupada, tens compromisso Angelina?" "Tenho... e preciso partir.. Mas foi um prazer conhecê-lo, até mais ver." "Poderíamos marcar um piquenique no final de semana o que acha? Gostaria de conversar mais contigo..." Ele me deixou completamente sem reação, não consegui perceber o que ele buscava em mim, se era a sua Sophia, ou uma nova amizade. "Claro." "Amanhã na mesma hora e lugar, um café pra conversarmos um pouco mais e combinar, pode ser?" "Ok!". Saí cabisbaixa, com um pouco de vergonha.. Olhei para trás, e vi ele ainda me mirando de longe.
dor que dói mais
dá aquele aperto no peito,
aquela ardência no nariz
e cai aquela lágrima...
chorar por causa de pessoas que fazem falta.
as vezes por estar longe,
ou até mesmo perto.
Saudade é falta.
falta de presença,
falta de amor e carinho,
falta de uma conversa,
um abraço,
um oi.
essa falta um dia passa.
pode passar pelo esquecimento,
mas também pode passar por ser uma carência suprida.
aquela ardência no nariz
e cai aquela lágrima...
chorar por causa de pessoas que fazem falta.
as vezes por estar longe,
ou até mesmo perto.
Saudade é falta.
falta de presença,
falta de amor e carinho,
falta de uma conversa,
um abraço,
um oi.
essa falta um dia passa.
pode passar pelo esquecimento,
mas também pode passar por ser uma carência suprida.
romance à moda antiga parte II
Sophia permaneceu a noite na janela. Observou as estrelas, a lua e voltou seu olhar para baixo. Se imaginava como num conto de fadas, onde seu príncipe chegava e serenateava em sua janela. Fechou os olhos e os abriu novamente. Infelizmente era tudo fruto da sua imaginação. Virou-se com seu corpo voltado para o quarto que parecia gigantesco, e olhou para sua escrivaninha onde se encontravam seus cadernos de poemas abertos e suas canetas jogadas em volta de uma xícara de chá. Foi até a mesinha. Sentou-se. Leu o poema. Caiu uma lágrima e ela fechou o caderno como se quisesse esquecer do que ali estava escrito. Ela ficava triste quando pensava que o homem que ela idealizava jamais existiria, ou não seria tão romântico quando ela queria que fosse. Ela é tímida, só consegue se abrir e desabafar com aquelas folhas jogadas sobre a mesa. Gosta muito de ler romances e seu passatempo preferido é fazer alguns recortes de jornal. Ela também escrevia histórias. Sua personagem preferida era Rosa Flor. Dona Flor sempre aparecia como personagem principal. Suas histórias eram guardadas a 7 chaves dentro de uma caixinha trancada, não mostrava pra ninguém.
Pra lembrar de ti
Pra lembrar de ti
Cevo outro mate de silencio e solidão
Para um coração que já faz tempo que anda vazio
Refaço os planos pro inverno que se achega
Não quero ver o meu amor morrer de frio.
- Jairo Lambari
eu sempre te amei.
pensei que tinha te esquecido, ou que meu sentimento tivesse mudado, mas não.
quando tu voltaste a falar comigo senti aquele mesmo frio na barriga.
aquela sensação de agrado, carência, afeto... saudade.
te sinto aqui do meu lado.
me querendo.
me amando.
se voltasse no tempo, mudaria tudo.
mas o tempo não volta.
a vida passa.
e eu não quero mais.
pensei que tinha te esquecido, ou que meu sentimento tivesse mudado, mas não.
quando tu voltaste a falar comigo senti aquele mesmo frio na barriga.
aquela sensação de agrado, carência, afeto... saudade.
te sinto aqui do meu lado.
me querendo.
me amando.
se voltasse no tempo, mudaria tudo.
mas o tempo não volta.
a vida passa.
e eu não quero mais.
ultimo café
Permaneci ali. Sentada. Tomei o ultimo gole do café e olhei para o lado. Aquele moço parecia triste. Algo me incomodava naquele olhar. Não fazia ideia do que se passava naquela cabeça quando caiu aquela lágrima repentinamente. Ele me olhou e eu disfarcei. Não pretendia que ele percebesse que eu observava-o. O celular tocou. Uma mensagem. De quem seria? Ele sorriu meio tímido, e logo deixou que aquela face triste voltasse. Sutilmente olhei nos olhos dele, e esperei ele olhar nos meus. Perguntei se estava tudo bem e ele me perguntou o motivo de eu, uma total estranha, perguntar isso a ele. Falei que se os conhecidos não são capazes de perceber quando uma pessoa tão próxima está estranha ou parece triste, eu ao menos iria oferecer o meu braço amigo -desconhecido-. Não acho que um ser humano mereça estando mal ser deixado de lado. Não gostaria que fizessem isso comigo. Ele pede a conta, levanta, e sai, me deixando ali de pé ao lado da mesa, olhando para o assento vazio.
romance à moda antiga parte I
Sophia não nasceu no século passado, mas gosta de receber flores, cartas, lê literatura antiga. Se apaixona por homens carinhosos, e cavalheiros. Uma serenata a leva a loucura. Espera que a convidem para um café... um chá, talvez. Gosta de dias de chuva. E até de dias de sol para passear no parque. Ela tem um diário, que relata tudo o que pensa sobre as pessoas, o mundo, e também conta sobre seu dia-a-dia. Em cada página escreve poemas, ou pequenos versos que ela mesma compõe. Tudo o que ela deseja em um homem, ainda não encontrou. -Se é que um dia encontrará-. Hoje em dia ela se conforma com a realidade e com as pessoas que estão a sua volta. Sua carência não foi suprida ainda.
até
até amanhã.
até mais tarde.
até daqui a pouco.
até logo.
até depois de amanhã.
até ano que vem.
até nunca mais.
até mais tarde.
até daqui a pouco.
até logo.
até depois de amanhã.
até ano que vem.
até nunca mais.
queria ser um palhaço,
pena que não posso ser.
poderia fazer todos sorrir,
e principalmente você.
queria ser bailarina,
mas bailarina não posso ser.
poderia dar piruetas e ver tudo girar,
e depois voar num grand jete.
queria ser cantora,
e isso não posso ser.
tu poderias ser do meu fã clube,
e muita fama eu poderia ter.
queria ser poeta,
e poeta não posso ser.
poderia escrever coisas bonitas,
e muitos poemas pra você.
queria ser uma super heroína,
mas não serei.
poderia salvar muita gente,
e te salvar não vou poder.
pena que não posso ser.
poderia fazer todos sorrir,
e principalmente você.
queria ser bailarina,
mas bailarina não posso ser.
poderia dar piruetas e ver tudo girar,
e depois voar num grand jete.
queria ser cantora,
e isso não posso ser.
tu poderias ser do meu fã clube,
e muita fama eu poderia ter.
queria ser poeta,
e poeta não posso ser.
poderia escrever coisas bonitas,
e muitos poemas pra você.
queria ser uma super heroína,
mas não serei.
poderia salvar muita gente,
e te salvar não vou poder.
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